Como é a experiência de ser a única mulher em um time de Data Science?

28 February 2019

The 20

Faz um tempo que não escrevo por aqui!! O tempo está um pouco mais curto, mas em breve terá mais textos de Xp e Técnicos por aqui.

Mas vamos ao que interessa, um dos motivos pelos quais não tenho aparecido tanto aqui é exatamente o ponto central desse texto: Meu trabalho como Cientista de Dados, e com o detalhe de estar em um time marjoritariamente masculino.

Por que o destaque que é um time de Data Science?!

A interdisciplinaridade da Ciência de Dados, que em uma área só consegue reunir diversas skills nas quais nós mulheres sofremos muito preconceito, e principalmente nos sentimos muito privadas desde a tenra idade. Aprendemos que programação não é para mulheres e que homens se dão melhor com a matemática porque são mais lógicos, lá se vai a maioria dos requisitos!!!

Você pode encontrar Aqui um pouco mais em como eu entrei no mundo da programação e entender um pouco mais como eu cheguei aqui, e superei esses pontos ai.

Da Síndrome do Impostor ao 1º dia

Muita gente já passou por aquela situação de ver A vaga e pensar: “Nossa que perfeição, mas olha esses requisitos, jamais vão me chamar” A chamada Síndrome do Impostor é um pesadelo que assombra a todas(os), então aqui já vai o segundo ponto que eu quero falar.

Não se privem de mandar o currículo, não é você que tem que determinar se é bom para a vaga ou não, isso é papel do RH e não seu!!!

Bom, então eu mandei meu currículo, fiz as entrevistas e BOOM…iria começar como Cientista de Dados, faltando 5 dias pro Natal(sim!!! Nos 45 do segundo tempo de 2018). Já na entrevista fiquem sabendo que seria a única moça no time de desenvolvimento e confesso que fiquei pensando nisso pra caramba:

Como seriam os caras que eu iria encontrar lá? Será que eles eram machistas? Todo dia iriam explicar o que eu já sei, por simplesmente explicar? Minhas ideias seriam deixadas de lado até que um homem dissesse o mesmo com outras palavras???

Já deixo o terceiro ponto, deu frio na barriga? Vai com frio na barriga mesmo, os questionamentos na cabeça vão existir sempre, solta o som e SE ignore, não seja o seu carrasco

O ínicio

O clima do setor é incrível, e foi a primeira coisa que eu reparei!!! Mas, ainda tinha aquilo, como seriam os rapazes devs?!

Nosso time é pequeno, somos em 4 pessoas: 3 cientistas de dados e um fullstack

Já na primeira semana descobri que os outros dois cientistas estavam com viagem marcada para os EUA porque ficaram em primeiro em um Hackathon( manjam muito)

E também foi quando na ambientação percebi que seria ótimo estar aprendendo ali com eles, e ENSINANDO

Quarto ponto -> Não se precipe em julgar as pessoas, se eu já tivesse partido do principio que eles seriam arrogantes, provavelmente poderia acontecer isso, porque eu teria me fechado!!

Sendo a mocinha do clã

Passei umas duas semanas me ambientando ao sistema, em estudar as análises que já estavam prontas, quais eram as métricas, essas coisas que temos que entender antes de colocar a mão na massa!!

Os meninos foram muito abertos as minhas opiniões, extremamente atenciosos em explicar, me integrar ao time de forma que eu fizesse parte e me sentisse parte…Isso desde o coordenador até os demais integrantes

Rolou alguns mansplainings?

Sim, rolou (nem tudo é perfeito)…e não foram propositais, então nem sei se seria correto dizer que foi exatamente um mansplaining, mas foi muito no ínicio, e bem poucos…

O que mais me chamou atenção desde o ínicio, que eles são abertos a discutir as pautas femininas na programação, por diversas vezes contei sobre situações que eu e/ou amigas minhas tinham vivenciado, e eles se posicionaram!! Por diversas vezes também relataram situações que perceberam essas ocorrências e como são ridículas as atitudes preconceituosas.

Logo depois desse período de ambientação, parti para os codes

Desafios foram me dados, e ainda são me dados todos os dias!!

Quinto Ponto

Quando a gente parte para a modelagem em si, a Ciência de Dados mesmo, que poderia começar a ter as situações mais tensas, mas o que aconteceu foi ao contrário!! Sou consultada pelos meus colegas, codamos Juntos, somos um Time, e isso é o mais importante. Não escuto piadas machistas, porque há consciência de como aquilo não é bom.

Já é sabido que times mais diversos tem uma maior gama de ideias e abordagens:

Conseguimos perceber isso, até em coisas estéticas que precisamos fazer, minha opinião feminina deu um toque especial.

–> Organização de Documentação, e pegar no pé com algumas coisas que bom?! Homens são mais tranquilos, massss nós vemos de maneira diferente (até porque uma boa documentação é bom pra tudo)

A principal lição dessa reflexão é: Quando um time de desenvolvedores comporta-se como tal, as diferenças, sejam quais forem vira um complemento, uma skill a ser adquirida, e não importa a cor, gênero, sexualidade, expressão da sexualidade…O que importa é o que se sabe ensinar e o que se pode aprender para que todos cresçam, sem egoísmo, sem estrelismo, sem competições, mas todos por todos, para que o resultado final ( entrega do valor do produto) seja satisfatória.

A experiência aqui tem sido essa, aprendo a ser time todos os dias, e fazer parte de um time

Obrigada meninos por me verem como Cientista de Dados, e que isso que importa.

–> Mas coloquem nomes melhores nas variáveis <3